A subespécie do vírus Influenza A está circulando de forma acelerada em várias cidades do país, principalmente na Bahia. Às vésperas do verão, a doença causou surpresa e acendeu o sinal de alerta de especialistas. Até novembro, o vírus H3N2 não tinha sido identificado na no estado e hoje já está presente em diversos municípios. Feira de Santana, Eunápolis, Camaçari, Gandu e Lauro de Freitas são algumas das cidades que compõem a lista de casos da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab).
A variante é menos letal que a Covid, mas os sintomas podem ser piores. Ela atinge principalmente idosos e crianças e, assim como o subtipo H1N1 da Influenza, o H3N2 provoca os típicos sintomas de gripe, como dor de cabeça, febre e congestão nasal. Por isso, é importante que a pessoa repouse e beba bastante líquido para eliminar o vírus do organismo.
Até a quinta-feira (16), a Bahia já registrava mais de 170 casos de Síndrome Gripal em decorrência da Influenza A H3N2. Segundo o último boletim divulgado pelo Lancen-BA, 48 casos evoluíram para Síndrome Respiratória Aguda Grave e precisaram de internação hospitalar. Na quarta (15), a Sesab confirmou a primeira morte em decorrência de complicações da doença, uma idosa de 80 anos.
Ela residia em Salvador e não estava vacinada contra a doença. A vacina realiza a cobertura da Influenza A, H1N1 e H3N2. A mulher também era portadora de doença cardiovascular crônica e diabete. Ainda segundo a Sesab, a paciente foi internada no último dia sete de dezembro em um hospital particular na capital baiana e morreu no sábado. Até o momento, não se sabe o sequenciamento do H3N2 que causou a morte. A suspeita é de que seja relacionado a variante Darwin.
De acordo com o alerta emitido pela Vigilância Epidemiológica Estadual, as equipes de saúde devem estar atentas para a necessidade de intensificação das ações de vigilância dos casos suspeitos de SRAG.
Medidas na Capital
O prefeito de Salvador, Buno Reis (DEM) anunciou, na manhã desta sexta-feira (17), a reabertura do gripário de Pau Miúdo como medida de combate ao aumento de casos da gripe Influenza (H3N2). O gestor municipal alertou ainda que a cidade pode reabrir todos os gripários que funcionavam no auge da pandemia.
“A partir de hoje estarão funcionando os gripários do Pau Miúdo e dos Barris, além disso vamos colocar o gripário de Bom Jesus dos Passos, lá na Ilha. Então vamos ter já funcionando 3 gripários. Há a possibilidade de botar mais gripários para funcionar sim. Nós tínhamos no auge da pandemia 6 funcionando na nossa cidade. O próximo a ser reaberto é o de Pirajá”, alertou Bruno Reis.
Ao todo, 90 pontos de imunização, entre postos fixos e drive thrus, estarão aplicando a vacina contra a Influenza, nesta sexta-feira (17), das 08h às 17h. A megaoperação organizada pela prefeitura também vai imunizar pessoas em locais de grande circulação como shoppings, supermercados, estações de transbordo e as sedes das prefeituras-bairro.
Principais dúvidas relacionadas à doença:
Todos os casos de H3N2 evoluem para uma internação?
Não. Nem todos os casos de Influenza H3N2 necessitam de internação. Em alguns deles, os sintomas são leves, como uma gripe simples, logo não são notificados.
Como é feita a contagem e identificação dos casos de H3N2?
O objeto de monitoramento da Vigilância em Saúde são os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que são, justamente, os casos de gripe que evoluíram para um agravamento e foi necessário a internação. Se houve a internação, é necessário, obrigatoriamente, ser notificado. O serviço de rotina da Vigilância faz esse monitoramento baseado no Sivep-Gripe, que é o sistema de informação onde os estabelecimentos de saúde notificam um caso de Síndrome Respiratória Aguda Grave.
Qual a diferença de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e Síndrome Gripal (SG)?
Na Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) , os principais sintomas são a dispneia/desconforto respiratório, a pressão persistente no tórax ou saturação menor que 95% em ar ambiente, evoluindo para um caso mais grave que, em muitas vezes, necessita de internação. Já no caso da Síndrome Gripal, o quadro se caracteriza por sintomas mais leves, com pelo menos dois dos seguintes sinais e sintomas: febre, calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou gustativos.



