Depois de afirmar que venceria a deputada Fátima Nunes (PT) com, pelo menos, 50 votos na disputa pela 1ª vice-presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) se a eleição para o segundo mais importante cargo da Mesa Diretora fosse realizada nesta quarta-feira (26), o bastidor do quase bate-chapa entre Fátima Nunes e Júnior Muniz, o mais novo interessado no posto, revelou que o parlamentar estava inclinado em desistir da disputa.
Para retirar seu nome, Júnior Muniz apresentou uma condição inexequível ao líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), considerando o cenário atual. Ele queria uma garantia de que seu nome seria indicado à 1ª vice na próxima eleição da Mesa Diretora que, somente, acontecerá em 2027, quando terá início uma nova legislatura na Assembleia Legislativa.
Para pensar em sentar na cadeira com dois anos de antecedência, Júnior Muniz precisaria ter a certeza da sua reeleição como deputado estadual em outubro de 2026. E não somente isso. Para que Rosemberg Pinto aceitasse o acordo, ele próprio teria de estar certo não apenas da sua reeleição como, também, da sua continuidade como líder do governo na Assembleia. Como na política tudo muda o tempo todo, até lá, muita coisa pode acontecer, inclusive, um revés na eleição para o governo do Estado.
“Eu disse a ele que essa não vai ser uma decisão minha. Isso tem que ser um pacto também do PT. Então, eu disse para ele: ‘leve isso para o PT’”, revelou Rosemberg Pinto a este Política Livre. Ele ainda completou: “É outra configuração, outra legislatura, uma outra conjuntura. Eu não posso fazer nenhum tipo de acordo”, frisou.
“Injustiçado”
Em conversa com a imprensa, nesta quarta-feira, Júnior Muniz alegou ter tomado “um golpe” de Rosemberg Pinto na eleição da Mesa Diretora no biênio passado (2023/2025) quando, supostamente, o líder do governo teria se comprometido em indicá-lo a vaga da 1ª vice-presidência. Muniz afirmou que acabou retirando sua candidatura em favor do colega Zé Raimundo com o compromisso de que teria a preferência na disputa deste ano.
Ao Política Livre, Rosemberg Pinto negou que no passado tenha havido essa costura. “Eu nunca fiz nenhum acordo nem com ele, nem com nenhum parlamentar da Casa até porque o cargo não pertence a mim, pertence aos partidos”, disse.
Perguntado sobre como se deu o desenrolar da articulação para que o PT indicasse o nome de Fátima Nunes e não o de Júnior Muniz para ocupar a cadeira neste biênio, já que houve vacância do cargo com a posse da deputada Ivana Bastos (PSD) na presidência, Rosemberg Pinto respondeu que a decisão “coube ao PT como um conjunto” levando em conta que a vaga da 1ª vice permaneceria com o partido pelo critério da proporcionalidade. “A vaga, na verdade, é da federação, mas pela proporcionalidade, o PT tem a maior bancada. Nós entendemos que a indicação deveria ser da deputada Fátima Nunes, que é suplente na Mesa Diretora. A decisão não teve caráter pessoal, qualquer deputado tem o direito de disputar”, explicou.
Rosemberg ainda frisou que na Assembleia Legislativa responde como líder da maioria e do governo, mas “dentro do PT se posicionará como liderado e como membro do partido”. Ele pontuou que seguirá defendendo que o PT tenha uma candidatura única e que ela seja encabeçada pela líder da bancada, Fátima Nunes.
Carine Andrade, Política Livre