sexta-feira, 3 abril, 2026 17:43
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“Correr por Elas” inaugura um novo momento na luta contra o feminicídio e expõe a falência das políticas dos governos petistas.

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Por: Anderson Santos

A mobilização em torno do “Correr por Elas” não foi apenas um evento, foi um marco político e social que revela um contraste incômodo. Enquanto a sociedade se mobiliza diante de uma pauta urgente, os governos que há décadas comandam as estruturas públicas seguem sem apresentar resultados proporcionais à gravidade do problema.

A iniciativa, encabeçada pelo Abrace, que tem a esposa de Elinaldo Ivana Paula como Madrinha, e pelo grupo liderado pelo próprio Elinaldo, conseguiu transformar uma pauta sensível em mobilização real. O fato de mais de 5 mil pesssoas participarem e o sucesso nas redes sociais, demonstra que ouve adesão, engajamento e presença social, algo que não se constrói apenas com cargos, secretarias ou discurso institucional.

O movimento ganhou dimensão estadual com a adesão de lideranças como ACM Neto, a participação de Zé Cocá e o senador Ângelo Coronel, além de deputados, lideranças, prefeitos e vereadores. Isso evidência uma oposição mais conectada com a realidade e mais sensível a uma pauta que exige prioridade.

Em Camaçari, o contraste é ainda mais evidente. O município possui secretaria da mulher, representação política feminina na base governista e a atuação da deputada federal Ivoneide Caetano. Ou seja, estrutura não falta.

Mas falta resultado.

Quem conseguiu mobilizar a sociedade, gerar engajamento e colocar o tema no centro do debate foi justamente quem está fora da máquina pública. A ação liderada por Ivana Paula e Elinaldo expôs essa diferença de forma clara.

Isso leva a uma conclusão inevitável. O problema não é ausência de discurso, o problema é a ineficácia de colocá-lo em prática.

E aí usando uma máxima de Lênin, ícone da esquerda, a prática é o critério da verdade.

O Partido dos Trabalhadores governa a Bahia há quase 20 anos e ocupa o governo federal, com intervalos, há anos. Durante todo esse período, construiu estruturas, ampliou narrativas e ocupou espaços institucionais voltados para a pauta da mulher.

Mas a violência contra a mulher e os casos de feminicídio continuam crescendo de forma preocupante, tanto na Bahia quanto no Brasil. Isso não pode ser tratado como acaso, é resultado direto da incapacidade de transformar política pública em proteção real.

E quando, após décadas no poder, os indicadores continuam piorando, a responsabilidade não pode ser terceirizada. Ela recai sobre quem governa.

É nesse ponto que o “Correr por Elas” ganha destaque. Não apenas por mobilizar, mas por expor, ainda que de forma indireta, a fragilidade de quem teve tempo, estrutura e poder para agir, mas não conseguiu entregar.

O movimento não substitui o papel do Estado, mas escancara sua falha.

E quando a sociedade começa a perceber isso, o debate deixa de ser apenas social e passa a ser político.

No fim, o que se viu foi mais do que uma mobilização. Foi um sinal claro de mudança de eixo, de um lado, uma oposição que se mostra mais atenta, sensível e capaz de mobilizar. Do outro, governos que, apesar do discurso, não conseguiram conter o avanço de um dos problemas mais graves da sociedade.

E quando o resultado não acompanha o discurso por tanto tempo, o discurso deixa de convencer. E esse é o sinal de esgotamento do modelo petista de governar e influenciar a percepção da sociedade.

Anderson Santos é cientista político

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