quarta-feira, 28 outubro, 2026 19:03
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Aliados afirmam que Flávio Bolsonaro teria viajado para os EUA após derrota eleitoral

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Segundo interlocutores do senador, viagem teria sido organizada por advogado próximo à família Bolsonaro; destino final do parlamentar ainda é desconhecido

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) afirmam que o senador teria deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos dois dias após a derrota nas eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com esses relatos, o voo deveria chegar ao destino nas horas seguintes. Até o momento descrito pelos interlocutores, porém, não havia confirmação independente da viagem.

Segundo pessoas próximas ao parlamentar ouvidas pela Folha, a saída teria sido organizada com a ajuda de um advogado ligado à família Bolsonaro. Os interlocutores dizem ser contrários à decisão e afirmam que Flávio estava incomunicável. Rogério Marinho, coordenador da campanha do senador, inicialmente negou a informação.

Decisão teria ocorrido após ordem judicial

De acordo com a versão apresentada pelos aliados, Flávio decidiu viajar na segunda-feira (26), depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o recolhimento de seus passaportes brasileiro e italiano. O senador possui cidadania italiana.

Na terça-feira, a Polícia Federal cancelou o documento brasileiro após o descumprimento da decisão judicial. A corporação também teria emitido um alerta para monitorar as fronteiras. O passaporte italiano, segundo o relato, continuava válido.

O itinerário do parlamentar, entretanto, permanecia incerto. Os aliados afirmaram que ele teria partido da Argentina, mas negaram que a decolagem tivesse ocorrido em Puerto Iguazú, onde o nome do senador teria aparecido em uma lista de passageiros de um jato executivo Gulfstream. A aeronave não chegou a decolar.

O governo argentino de Javier Milei, aliado político dos Bolsonaro, declarou não ter registro da entrada de Flávio no país. Assim, não estava esclarecido se o senador passou pelo território argentino, se entrou de maneira irregular ou se as informações divulgadas sobre a viagem estavam incorretas.

Segundo os interlocutores, a inclusão do nome do parlamentar na lista de passageiros teria servido para despistar as autoridades, enquanto a saída teria ocorrido em outro ponto da Argentina. Essa versão, contudo, não havia sido confirmada de forma independente.

Possível encontro com Eduardo Bolsonaro

Os aliados não souberam informar o destino final de Flávio. Uma das possibilidades mencionadas seria a Flórida, nos Estados Unidos, onde seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está desde o ano anterior, conforme o relato original.

Eduardo atuou junto a integrantes do governo de Donald Trump em uma campanha de pressão política contra o Brasil. O presidente americano, embora mantenha relações com os Bolsonaro, não declarou apoio explícito à candidatura de Flávio.

Na segunda-feira, Trump mencionou suspeitas de fraude nas eleições brasileiras, sem apresentar, no relato, evidências que sustentassem a alegação. O republicano já havia contestado o resultado da eleição presidencial americana de 2020, vencida por Joe Biden.

Aliados dos Bolsonaro nos Estados Unidos, entre eles o ex-estrategista de Trump Steve Bannon, também defenderam medidas contra o Brasil, incluindo o rompimento de relações entre os dois países. A possibilidade, porém, não parecia contar com perspectivas concretas naquele momento.

Histórico familiar de tensão com a Justiça

A suposta viagem ocorre em meio a um cenário de pressão judicial sobre a família Bolsonaro. Jair Bolsonaro, pai de Flávio e Eduardo, cumpria prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado, segundo o texto original.

Em 2024, o ex-presidente permaneceu por dois dias na Embaixada da Hungria, em Brasília, episódio que levantou questionamentos sobre uma possível tentativa de buscar proteção diplomática. Na ocasião, o país europeu era governado por Viktor Orbán, aliado político de Bolsonaro.

Flávio, por sua vez, é citado no texto como investigado em duas frentes criminais relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e outros delitos, envolvendo o caso do Banco Master e supostos desvios no INSS. A partir de fevereiro, com o fim de seu mandato de senador pelo Rio de Janeiro, ele poderia perder o foro por prerrogativa de função no Supremo, conforme as circunstâncias processuais de cada investigação.

O senador também não reconheceu a derrota eleitoral para Lula. Ele chegou a considerar uma ação para contestar o resultado com base na extensão do horário de votação, mas desistiu de protocolá-la. Segundo o relato, apenas 0,03% dos votos teriam sido registrados durante as duas horas adicionais autorizadas pela Justiça Eleitoral em razão de problemas de transporte em diversas cidades.

Até o fechamento das informações reunidas nesta versão, a alegada saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e seu possível destino nos Estados Unidos permaneciam sem confirmação independente.

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