O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) instaurou um procedimento para acompanhar a apuração de declarações atribuídas ao influenciador Pablo Marçal (PRTB) sobre religiões de matriz africana e a população baiana. A medida foi publicada nesta quinta-feira (10).
A investigação teve início após uma notícia de fato encaminhada ao órgão relatando falas feitas por Marçal durante uma entrevista que ganhou repercussão nas redes sociais. Em um dos trechos, ele afirmou que “se macumba funcionasse, a Bahia era Dubai” e também fez declarações depreciativas sobre praticantes dessas religiões.
Segundo a 1ª Promotoria de Justiça de Direitos Humanos, especializada no combate ao racismo e à intolerância religiosa, as declarações podem configurar racismo religioso. O MP-BA também avalia a possibilidade de discriminação por procedência regional devido à associação feita entre a Bahia, sua situação socioeconômica e as religiões de matriz africana.

Entre as providências determinadas está a produção de um relatório técnico para verificar a origem, autenticidade, data e alcance da entrevista. O Ministério Público também solicitou que plataformas como Instagram e YouTube preservem registros e conteúdos relacionados às publicações.
A Promotoria requisitou ainda à Delegacia de Repressão a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decrin), da Polícia Civil da Bahia, a abertura de inquérito para investigar os possíveis crimes. A Polícia Civil deverá informar ao MP-BA sobre a instauração do procedimento e atualizar o órgão sobre o andamento das diligências.
Como Marçal está ligado à disputa eleitoral de 2026, uma cópia dos autos também será encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caberá à Justiça Eleitoral analisar, de forma independente da investigação criminal, se as declarações podem ter repercussões no âmbito da legislação eleitoral.
*Da Redação, com informações do BNews



