Estudo da FIEB aponta crescimento da atividade industrial, com remuneração média no município 24% superior à registrada na indústria baiana.
Por Redação Portal RMS
O Complexo Industrial da BYD, instalado em Camaçari, já movimenta mais de R$ 1,03 bilhão por ano em salários e está associado à geração de mais de 22 mil empregos diretos, indiretos e induzidos. Os números fazem parte dos primeiros resultados de um levantamento realizado pelo Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), em parceria com a montadora chinesa. Divulgados nesta quinta-feira (29), os dados mostram os efeitos da instalação da fábrica sobre a geração de renda e a atividade econômica na Região Metropolitana de Salvador.
Segundo o estudo, a remuneração média dos trabalhadores da indústria em Camaçari chegou a R$ 3.905,85, valor aproximadamente 24% superior à média estadual do setor, de R$ 3.147,88. Atualmente, a BYD mantém mais de 9,5 mil empregos diretos, sendo 90% ocupados por profissionais baianos. As mulheres representam 33% dos trabalhadores das linhas de produção. Outros 3 mil profissionais atuam nas obras de ampliação do complexo, enquanto a circulação de renda associada ao empreendimento sustenta cerca de 10 mil postos adicionais em diferentes atividades econômicas.
A expansão da montadora representa uma nova fase para o setor automotivo de Camaçari, que sofreu forte retração após o encerramento das atividades da Ford. Em 2020, a indústria automobilística local empregava aproximadamente 7 mil trabalhadores, número que caiu para apenas 12 vínculos formais em 2023. Com a instalação da BYD, o município voltou a registrar crescimento nas contratações e na movimentação de negócios ligados à produção industrial. Para o gerente do Observatório da Indústria da FIEB, Ricardo Menezes Kawabe, a recuperação também evidencia a necessidade de ampliar a participação de fornecedores baianos na cadeia produtiva.
Inaugurada em outubro de 2025, a fábrica ocupa uma área de 4,65 milhões de metros quadrados e recebeu um investimento inicial anunciado de R$ 5,5 bilhões. A unidade já produziu mais de 150 mil veículos e atualmente trabalha com quatro modelos eletrificados: Dolphin Mini, King, Song Pro e Atto 2. A empresa também prepara a implantação de novas etapas industriais, incluindo soldagem, pintura e estamparia, para ampliar a fabricação de componentes e veículos no Brasil.
A capacidade inicial do complexo é de 150 mil veículos por ano, com possibilidade de expansão para 600 mil unidades anuais após a conclusão do projeto. De acordo com Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, o crescimento da operação beneficia não apenas os trabalhadores contratados diretamente, mas também empresas prestadoras de serviços, fornecedores e estabelecimentos comerciais de Camaçari e cidades vizinhas. O estudo da FIEB continuará nos próximos 12 meses, com análises sobre os impactos econômicos e sociais associados à presença da montadora na região.
Com informações do Mais Região e da BYD.


